
A entrevista desta noite à RTPN confirma a ideia de um homem obcecado com a organização e o método, mas que, no meio de um discurso esdrúxulo, acaba por deixar o essencial perder-se nos labirintos do acessório, aprisionando invariavelmente o presente às amarras do futuro. Ouvimo-lo falar, e nota-se que a música (forma sofisticada do discurso) abafa a letra (conteúdo vazio e errante). Não consegue fugir à lógica do formador, que nem sempre se cruza com as exigências imediatas de uma selecção com ambições.
A maioria das questões mais pertinentes ficou sem resposta objectiva, e as contradições foram inúmeras (quer com a prática, quer no âmbito da própria entrevista). Manifesta a todo o momento ser um homem de gabinete, um eminente académico, mas nunca um grande técnico de banco. Assim o prova, aliás, o seu parco currículo, pontuado por vários despedimentos.
Muitos dos jogadores estão já saturados das suas redondas e longas palestras. Mas a eles, como a nós, não resta alternativa: temos de o suportar até ao Mundial.
Não confundo a selecção com o treinador que conjunturalmente a orienta, assim como nunca confundi o Benfica com Artur Jorge ou Jesualdo Ferreira. O meu apoio será sempre incondicional, sobretudo a partir do momento em que a competição for a doer.
Não deixo no entanto de manifestar a minha preocupação ante aquilo que vejo. E não apostaria um pau de fósforo queimado na possibilidade de, com este treinador, passarmos sequer da fase de grupos.
NOTA FINAL: A minha sorte é que Queiroz não me conhece. Caso contrário suponho que estaria sujeito a levar uns socos quando me cruzasse com ele no aeroporto.
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